É natural que os pais queiram proteger os filhos de decepções, mas isso pode acabar criando dificuldades futuras.
O escândalo envolvendo o processo de seleção de universidades de elite nos Estados Unidos parece ser um caso restrito a famílias ricas o suficiente para garantir a entrada de seus filhos por meio de suborno.
Mas ele tem a ver com a pressão sentida por todos os pais, mães e estudantes de hoje. O escândalo também destaca como vários pais estão roubando dos filhos uma lição de vida essencial: Como lidar com o fracasso.
Há muito tempo se fala nos “pais helicóptero”, que ficam “sobrevoando” todos os aspectos da vida dos filhos. Mais recentemente surgiu um novo termo: os “pais cortadores de grama”, que removem todos os obstáculos ou dificuldades que possam ser enfrentados pelos filhos. Esse tipo de pai e mãe também é conhecido como “limpa-neve”.
É natural que os pais queiram proteger seus filhos de decepções, mas isso pode acabar atingindo a autoestima das crianças e criando dificuldades futuras. O HuffPost conversou com educadores e especialistas em desenvolvimento infantil sobre a importância da resiliência e de aprender a lidar com fracassos.
A importância do fracasso
“O fracasso e as falhas ajudam a desenvolver habilidades emocionais e qualidades para a vida toda – persistência, autoconfiança, autocontrole, autossuficiência, foco e paciência”, diz ao HuffPost Kim Metcalfe, professora aposentada de educação infantil e autora de Let’s Build Extraordinary Youth Together (Vamos construir juntos uma juventude extraordinária, em tradução livre).
Mas permitir que seu filho fracasse parece quase um ato antinatural, diz Jessica Lahey, professora, jornalista e autora de The Gift of Failure: How the Best Parents Learn to Let Go So Their Children Can Suceed (O dom do fracasso: como os melhores pais dão liberdade para que suas crianças tenham sucesso, em tradução livre).
Ela afirma que os pais são bombardeados por manchetes assustadoras como “é impossível entrar na faculdade hoje em dia” ou “a próxima geração de crianças provavelmente não terá o mesmo sucesso econômico dos seus pais”.
“Diante de cenários assustadores como esses, a tendência é entrar num modo ‘pai protetor’, que é racional do ponto de vista evolutivo”, explica Lahey. “Mas estamos reagindo a coisas que não são ameaças reais. Não entrar em Harvard não é uma ameaça. Não ser o artilheiro do time não é uma ameaça. É uma experiência positiva.”
O fracasso é parte da vida, e, se seus filhos não tiverem a oportunidade de fracassar ou cometer erros, nunca vão perceber que podem dar a volta por cima. Isso se chama resiliência.”Michele Borba, psicóloga e escritora
Como os pais têm a tendência a proteger os filhos de fracassos e decepções, é necessário entender o que são ameaças reais e o que é simplesmente parte do crescimento.
“O fracasso é parte da vida, e, se seus filhos não tiverem a oportunidade de fracassar ou cometer erros, nunca vão perceber que podem dar a volta por cima. Isso se chama resiliência”, diz Michele Borba, psicóloga e autora de Unselfie: Why Empathetic Kids Succeed in Our All-About-Me World (Unselfie: por que crianças empáticas têm sucesso em nosso mundo que só olha pro próprio umbigo, em tradução livre).
“Seu filho não aprende a se levantar porque você diz que é o que ele tem de fazer, mas sim por experiência própria. Aí, quando aparece um problema realmente grande, eles se dão conta: ‘Ei, eu consigo lidar com isso!’”
Fonte: Huff Post Brasil